Nos últimos anos, com a estabilização da economia e o aumento do poder de compra das pessoas, ampliou-se o horizonte de planejamento das famílias e empresas brasileiras. A questão é: consumir ou investir? De um lado, está a realização imediata de um sonho, como uma pequena viagem ou um celular de última geração. De outro, a necessidade de acumular uma poupança para garantir a realização de um desejo no futuro e, aí sim, financiar os estudos dos filhos ou fazer aquela viagem dos sonhos. Decidir hoje a respeito do que só acontecerá daqui a muitos anos não é inerente à nossa natureza.
A realização de projetos exige disciplina e planejamento
Afinal, dificilmente alguém acorda com vontade de comprar um seguro de vida, não é verdade? Nesta questão, o lado financeiro é apenas o meio: o objetivo é a segurança emocional, aspectos que abrangem relações íntimas como lidamos com o inevitável fato de que iremos envelhecer, por exemplo, e as expectativas quanto à família. Em um país como o nosso, onde a cultura de planejamento ainda engatinha, é urgente que pessoas de todas as idades se conscientizem de que o futuro começa a ser traçado hoje.
A palavra-chave para desenvolver a cultura do planejamento é disciplina. Vários estudos e simulações indicam que quanto antes começamos a investir em previdência complementar, por exemplo, mais cedo e com mais recursos atingiremos nossos sonhos futuros. Como mulher, mãe, economista e presidente de um grupo segurador, minha convicção é que o momento certo de começar é agora. Outra palavra fundamental, que já mencionei antes, é planejamento.
Temos de estar atentos ao fato de que, com a maior expectativa de vida e as atuais regras de aposentadoria, a conta futura da Previdência Social não fecha, com um número cada vez maior de aposentados e proporcionalmente cada vez menos pessoas contribuindo. Cabe aos líderes atuar como multiplicadores na conscientização de suas equipes. O processo de evolução de uma cultura imediatista para uma cultura de planejamento de longo prazo é demorado. Individual ou corporativamente, é muito importante nos engajarmos nesta mudança de comportamento.
Maria Silvia Bastos Marques, presidente da Icatu Seguros
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