| O uso da internet pode aumentar a felicidade. Pelo menos é o que sugere um estudo britânico, coordenado pelo instituto BCS, divulgado em maio. Ao entrevistar mais de 35 mil pessoas ao redor do mundo, pesquisadores constataram que o uso de aparatos tecnológicos, como computadores, internet e celulares, pode influenciar a sensação de bem-estar.
De forma geral, o estudo mostrou que o acesso à internet leva as pessoas a se sentirem melhor em relação à sua vida. “Nossa análise sugere que a tecnologia tem um papel de capacitação e habilitação no dia a dia das pessoas, por aumentar sua sensação de liberdade e controle, com impacto positivo no bem-estar ou na felicidade”, disse Michael Willmott, cientista social que assina o estudo, numa conferência à imprensa.
Entre os mais influenciados emocionalmente pelo acesso à tecnologia estariam as pessoas com rendimento mais baixo e menor qualificação, populações de países em desenvolvimento e, surpreendentemente, as mulheres. "Os resultados... são muito plausíveis", diz Carol Graham, pesquisadora da Brookings Institution, em Washington, DC, e autora de Happiness Around the World (Felicidade ao Redor do Mundo, ainda não publicado no Brasil). "Introduzir uma tecnologia no mundo em desenvolvimento, seja por meio da internet ou do telefone celular, permite às pessoas reduzir as suas limitações na vida diária, gerando um tremendo impacto no bem-estar."
Antenadas e felizes
Para os pesquisadores, foi uma surpresa descobrir que as mulheres se beneficiam tanto da tecnologia, levando em conta que esta é uma indústria dominada por homens. Embora o relatório não explore por que elas sentem-se mais felizes com o acesso à internet do que eles, a hipótese é de que, como a mulher tende a ser o centro da rede social familiar, a web seria uma ferramenta capaz de ajudá-la a manter a vida doméstica organizada. De acordo com Paul Flatters, da Trajectory Partnership, que coordenou o estudo em parceria com o BCS, as mulheres também usariam a tecnologia como meio de se libertarem da repressão social que – ainda – sofrem.
A descoberta do BCS vai no sentido oposto da opinião de muitos especialistas, para quem a tecnologia tem impacto negativo no bem-estar dos usuários. Há inúmeros estudos sugerindo que o acesso regular à internet está relacionado ao estresse, à ansiedade e à compulsão. Entretanto, a diferença parece estar na maneira como a tecnologia é utilizada. Torná-la uma fonte de prazer e não de opressão dependeria da capacidade do usuário saber aproveitá-la de uma forma positiva e saudável.
Com informações das revistas Time e Veja.
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